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USP e Embrapa desenvolvem sensor para monitorar diabetes via urina

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USP e Embrapa desenvolvem sensor para monitorar diabetes via urina

Imagem: Alexander Grey/Unsplash/Reprodução

Quem tem diabetes costuma monitorar o nível de açúcar no organismo coletando pequenas quantidades de sangue a partir de furinhos nos dedos. Essa medição, para muita gente, precisa ser feita continuamente, às vezes mais de uma vez por dia. Mas uma pesquisa realizada pela USP (Universidade de São Paulo) e Embrapa pode mudar isso. 

Cientistas desenvolvem um sensor para detectar o nível de glicose na urina. É o primeiro passo para monitorar a diabetes com base em outros fluidos, como suor, saliva e lágrima – uma forma bem menos dolorosa e invasiva de repetir o exame diariamente. 

No método, basta uma gota de urina para identificar o nível de glicose no organismo. Apesar de inicial, a pesquisa já traz perspectivas otimistas, visto que o sensor pode se conectar facilmente a um aparelho pequeno e de baixo custo. 

Segundo o estudo, publicado em fevereiro na revista ACS Sustainable Chemistry & Engineering, a perspectiva é criar dispositivos que possam ser conectados às centrais de saúde quando houver detecção de risco aos pacientes. 

“Os dispositivos que nós desenvolvemos para monitorar biomarcadores químicos que indicam status da saúde também poderiam ser acoplados a outros sistemas, diminuindo a necessidade de ida até o hospital”, disse o professor Paulo Raymundo-Pereira, do IFSC (Instituto de Física de São Carlos), que lidera o estudo, ao Jornal da USP

Isso evita que pacientes em grupo de risco fiquem expostas a vírus e outras infecções nesses locais, justificou. 

Como medir glicemia pelo sangue? 

Para monitorar a diabetes via urina, o sensor usa a enzima glicose oxidase, responsável por quebrar o açúcar em estruturas menores e liberar peróxido de hidrogênio. Dessa forma, o mecanismo eletroquímico consegue medir a quantidade de peróxido que se forma e, assim, estimar quanto de açúcar há no organismo do paciente. 

Para funcionar, os cientistas imprimem os sensores em um tecido através da deposição da tinta de carbono em telas de serigrafia – o mesmo processo para estampar camisetas e sacolas plásticas. O material é flexível, descartável e totalmente biodegradável. 

Nos testes, o sensor foi capaz de detectar glicose tanto em urina sintética quanto na urina humana, extraída de um voluntário. Ele também pode passar por uma adaptação para medir concentrações de glicose na pele, através do suor. 

O que chama a atenção é o baixo preço para a produção do sensor que monitora a diabetes pela urina. Um equipamento de 3 centímetros custa menos de US$ 0,25 por unidade, o equivalente a R$ 1,30 no câmbio atual. Além disso, apresenta uma resposta rápida e longo tempo de vida útil. 

Segundo uma estimativa da IDF (Federação Internacional de Diabetes), 642 milhões de pessoas devem receber o diagnóstico de diabetes em todo o mundo até 2040. Em 2014, eram pouco mais que 422 milhões de pacientes com essa condição. 

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